1ª Turma
- Relator
- MARCELO DE NARDI
- Órgão julgador
- 1ª Turma
- Data de julgamento
- 28/05/2026
- Data de publicação
- 28/05/2026
- Número
- 5016984-14.2026.4.04.0000
Ementa
Relatório União (representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional) interpôs agravo de instrumento contra decisão no mandado de segurança 50195334620264047000 (e14d1 na origem) que deferiu medida liminar. Sustentou estarem presentes as condições do inc. I do art. 1.019 do CPC e requereu intervenção sobre a decisão agravada, inclusive por medida liminar em recurso, segundo os seguintes fundamentos: A Emenda Constitucional n. 109/2021, com o intuito de recuperar o equilíbrio fiscal, determinou a redução gradual de benefícios e de incentivos de natureza tributária, com o objetivo de diminuir o gasto tributário em pelo menos 10% (dez por cento), de modo a impedir que a dívida pública aumente descontroladamente e que, em até 8 anos, essas benesses não excedam o equivalente a 2% (dois por cento) do Produto Interno Bruto; A Lei Complementar n. 211/2024, tendo isso em vista, inseriu no Novo Arcabouço Fiscal vedações à concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários quando verificado déficit primário ou quando houver redução nominal nas despesas discricionárias;A Lei Complementar n. 224/2025, a seu turno, dispôs sobre a redução e os critérios de concessão de benefícios e de incentivos de natureza tributária, financeira ou creditícia, buscando alinhar a legislação federal às diretrizes previstas na Emenda Constitucional n. 109/2021;os arts. 146, inciso III, alínea "a", e 153, inciso III e § 2º, da Constituição Federal previram que o imposto incidente sobre a renda e os proventos de qualquer natureza deve ser informado pelos princípios da generalidade, da universalidade e da progressividade, e que a definição do seu fato gerador, da sua base de cálculo e de seus contribuintes deve ser feita por lei complementar;o lucro presumido é de natureza facultativa, de forma que os contribuintes que não estejam obrigatoriamente sujeitos ao lucro real podem optar por recolher o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, deduzindo de sua receita bruta as despesas efetivamente incorridas ao longo do ano-calendário, ou pelo lucro presumido, segundo o qual se permite que o contribuinte apure a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro aplicando determinados percentuais à sua receita bruta, sem a necessidade de comprovação das despesas realizadas;A base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando calculados com base no lucro presumido, com efeito, é obtida mediante a aplicação de determinados percentuais sobre a receita bruta auferida pelo contribuinte, na forma até então prevista na Lei n. 9.249/1995;a Lei Complementar n. 224/2025 é compatível com a Constituição Federal e com o Código Tributário Nacional, sendo conveniente destacar que os percentuais de presunção aplicáveis à apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando calculados na sistemática do lucro presumido, podem ser inclusive alterados por meio de simples leis ordinárias;ao instituir esse aumento no percentual de presunção do lucro para fins de incidência do IRPJ e da CSLL para o valor que supere o montante de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), o legislador conferiu eficácia a esse princípio, resultando em justiça fiscal e aplicação da isonomia, pois não se pode tratar igualmente empresas cuja receita mensal é de dezenas ou de centenas de milhares de reais e empresas cuja receita mensal é de milhões de reais. Quanto à urgência da medida liminar em recurso pretendida referiu risco de prejuízo ao fluxo de caixa da União. Fundamentação Assim constou na decisão agravada (e14d1 na origem, trecho relevante): A discussão diz respeito à validade da majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL instituída pela Lei Complementar nº 224/2025, que promoveu o acréscimo de 10% nos percentuais de presunção aplicáveis ao regime do lucro presumido para a parcela da receita bruta que ultrapassar R$ 5.000.000,00 no ano-calendário. A legislação nacional vigente permite que as pessoas jurídicas, por opção ou por determinação legal, sejam tributadas quanto ao imposto de renda por uma das seguintes modalidades: i) Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES (Lei Complementar nº 123/2006); ii) Lucro Real (Lei Federal nº 9.430/1996, arts. 1º e 2º); iii) Lucro Presumido (Lei Federal nº 9.430/1996, arts. 25 e 26); iv) Lucro Arbitrado (Lei Federal nº 9.430/1996, art. 27). A pessoa jurídica pode escolher a modalidade de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado) à qual se submeterá, desde que não esteja sujeito a alguma modalidade em especial por força de lei. O lucro presumido é uma forma de tributação que utiliza apenas as receitas da empresa para apuração do resultado tributável do IRPJ e da CSLL. Com isso, esses tributos são calculados por um resultado estimado, com aplicação de percentuais definidos em lei. Acerca da apuração do IRPJ com base no lucro pre Ler mais... Relatório União (representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional) interpôs agravo de instrumento contra decisão no mandado de segurança 50195334620264047000 (e14d1 na origem) que deferiu medida liminar. Sustentou estarem presentes as condições do inc. I do art. 1.019 do CPC e requereu intervenção sobre a decisão agravada, inclusive por medida liminar em recurso, segundo os seguintes fundamentos: A Emenda Constitucional n. 109/2021, com o intuito de recuperar o equilíbrio fiscal, determinou a redução gradual de benefícios e de incentivos de natureza tributária, com o objetivo de diminuir o gasto tributário em pelo menos 10% (dez por cento), de modo a impedir que a dívida pública aumente descontroladamente e que, em até 8 anos, essas benesses não excedam o equivalente a 2% (dois por cento) do Produto Interno Bruto; A Lei Complementar n. 211/2024, tendo isso em vista, inseriu no Novo Arcabouço Fiscal vedações à concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários quando verificado déficit primário ou quando houver redução nominal nas despesas discricionárias;A Lei Complementar n. 224/2025, a seu turno, dispôs sobre a redução e os critérios de concessão de benefícios e de incentivos de natureza tributária, financeira ou creditícia, buscando alinhar a legislação federal às diretrizes previstas na Emenda Constitucional n. 109/2021;os arts. 146, inciso III, alínea "a", e 153, inciso III e § 2º, da Constituição Federal previram que o imposto incidente sobre a renda e os proventos de qualquer natureza deve ser informado pelos princípios da generalidade, da universalidade e da progressividade, e que a definição do seu fato gerador, da sua base de cálculo e de seus contribuintes deve ser feita por lei complementar;o lucro presumido é de natureza facultativa, de forma que os contribuintes que não estejam obrigatoriamente sujeitos ao lucro real podem optar por recolher o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, deduzindo de sua receita bruta as despesas efetivamente incorridas ao longo do ano-calendário, ou pelo lucro presumido, segundo o qual se permite que o contribuinte apure a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro aplicando determinados percentuais à sua receita bruta, sem a necessidade de comprovação das despesas realizadas;A base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando calculados com base no lucro presumido, com efeito, é obtida mediante a aplicação de determinados percentuais sobre a receita bruta auferida pelo contribuinte, na forma até então prevista na Lei n. 9.249/1995;a Lei Complementar n. 224/2025 é compatível com a Constituição Federal e com o Código Tributário Nacional, sendo conveniente destacar que os percentuais de presunção aplicáveis à apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando calculados na sistemática do lucro presumido, podem ser inclusive alterados por meio de simples leis ordinárias;ao instituir esse aumento no percentual de presunção do lucro para fins de incidência do IRPJ e da CSLL para o valor que supere o montante de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), o legislador conferiu eficácia a esse princípio, resultando em justiça fiscal e aplicação da isonomia, pois não se pode tratar igualmente empresas cuja receita mensal é de dezenas ou de centenas de milhares de reais e empresas cuja receita mensal é de milhões de reais. Quanto à urgência da medida liminar em recurso pretendida referiu risco de prejuízo ao fluxo de caixa da União. Fundamentação Assim constou na decisão agravada (e14d1 na origem, trecho relevante): A discussão diz respeito à validade da majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL instituída pela Lei Complementar nº 224/2025, que promoveu o acréscimo de 10% nos percentuais de presunção aplicáveis ao regime do lucro presumido para a parcela da receita bruta que ultrapassar R$ 5.000.000,00 no ano-calendário. A legislação nacional vigente permite que as pessoas jurídicas, por opção ou por determinação legal, sejam tributadas quanto ao imposto de renda por uma das seguintes modalidades: i) Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES (Lei Complementar nº 123/2006); ii) Lucro Real (Lei Federal nº 9.430/1996, arts. 1º e 2º); iii) Lucro Presumido (Lei Federal nº 9.430/1996, arts. 25 e 26); iv) Lucro Arbitrado (Lei Federal nº 9.430/1996, art. 27). A pessoa jurídica pode escolher a modalidade de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado) à qual se submeterá, desde que não esteja sujeito a alguma modalidade em especial por força de lei. O lucro presumido é uma forma de tributação que utiliza apenas as receitas da empresa para apuração do resultado tributável do IRPJ e da CSLL. Com isso, esses tributos são calculados por um resultado estimado, com aplicação de percentuais definidos em lei. Acerca da apuração do IRPJ com base no lucro presumido, cito lições de LUIS MARTINS DE OLIVEIRA et alli, in Manual de Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas, 2ª ed. 2003: [...] A base de cálculo do IRPJ e da CSLL neste regime é obtida pela aplicação de um coeficiente sobre a receita bruta mensal, conforme preveem dos artigos 15 e 20, caput, respectivamente, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. [...] (...) Art. 20. [...] Assim, quando calculado sobre o lucro presumido, a tributação se dá mediante a aplicação de um percentual sobre a receita bruta de determinado período de apuração. Tal entendimento também se aplica à CSLL, pois sua base de cálculo é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o Imposto de Renda, conforme caput do artigo 2º da Lei nº 7.689/1988: Artigo 2º [...] Tratando-se de contribuintes optantes pelo pagamento do IRPJ pelo lucro presumido, também a CSLL é apurada mediante um percentual da receita bruta, nos termos do art. 29, I da Lei nº 9.430/96 e do art. 20 da Lei nº 9.249/95. Nos termos da norma prevista no art. 12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, alterada pela Lei nº 12.973/2014, a receita bruta compreende: Art. 12. [...] Com o intento de incrementar a arrecadação, com a redução de benefícios fiscais, foi publicada a Lei Complementar n. 224, em 26 de dezembro de 2025, cujo art. 4º atribuiu tratamento de benefício fiscal ao regime de tributação pelo lucro presumido, prevendo majoração de 10% nos percentuais de presunção utilizados nesse regime de apuração, a ser aplicado para os contribuintes cuja receita bruta total exceda o valor de R$ 5.000.000,00 no ano-calendário, in verbis: CAPÍTULO III DA REDUÇÃO DOS INCENTIVOS E BENEFÍCIOS FEDERAIS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA Seção I Da Redução dos Incentivos e Benefícios Tributários Art. 4º [...] Todavia, não há amparo na legislação de regência do IRPJ e CSLL, antes citada, à equiparação do regime do lucro presumido a um benefício fiscal, pois, embora esse regime de apuração simplifique a tributação, não implica em redução de tributos. Com efeito, o regime de lucro presumido é um método de apuração, e não um benefício fiscal. Portanto, não poderia ser reduzido sob o pretexto de corte de incentivos. Além disso, ao elevar a presunção acima do que o legislador historicamente reconhece como lucro real das atividades, a lei passa a tributar uma riqueza inexistente, ferindo a capacidade econômica do contribuinte. O aumento artificial da base de cálculo, ainda, desborda do conceito de "renda e proventos" previsto na Constituição Federal. Nesse sentido, colaciono decisão proferida pelo Desembargador Federal Leandro Paulsen no Agravo de Instrumento nº 5009502-15.2026.4.04.0000, cujos fundamentos adoto como razões de decidir (TRF4, AG 5009502-15.2026.4.04.0000, 1ª Turma , Relator LEANDRO PAULSEN , julgado em 01/04/2026): [...] Em semelhante sentido, a decisão proferia no Agravo de Instrumento nº 5009152-27.2026.4.04.0000, 1ª Turma, Relator MARCELO DE NARDI, julgado em 27/03/2026. Presente, portanto, o fumus boni juris. O periculum in mora também está caracterizado, porquanto a inovação legislativa passaria a produzir efeitos nos próximos dias, quando da apuração do lucro presumido do primeiro trimestre. III. Diante do exposto, defiro o pedido de liminar para determinar a suspensão da exigibilidade do acréscimo de dez por cento nos percentuais de presunção de lucro, para fins de IRPJ e de CSLL, de que trata o art. 4º, § 4º, VII, e § 5º, da LC 224/2025. A matéria já foi enfrentada pelo Desembargador Federal Leandro Paulsen em decisão de Relator no agravo de instrumento 50090839220264040000 de 24mar.2026, da qual se adotam fundamentos para aqui decidir. A LC 224/2025 trata do aumento da carga tributária para empresas do lucro presumido. O aumento não surge de uma revisão da presunção de lucro, mas de uma medida que supostamente reduz benefícios fiscais ao tempo em que aumenta os limites da presunção de lucro, tendo como consequência um aumento indireto sob o argumento de revisão de renúncia fiscal. A LC 224/2025 assim dispõe sobre a redução dos incentivos e benefícios federais de natureza tributária: Art. 4º. Os incentivos e benefícios federais de natureza tributária são reduzidos na forma deste artigo. § 1º. A redução a que se refere o caput deste artigo aplica-se aos incentivos e benefícios relativos aos seguintes tributos federais: I - Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Contribuição para o PIS/Pasep) e a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Contribuição para o PIS/Pasep-Importação); II - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins-Importação); III - Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); IV - Imposto de Importação (II); V - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); e VI - contribuição previdenciária do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada. § 2º. O disposto neste artigo abrange os incentivos e benefícios tributários federais relativos aos tributos especificados no § 1º deste artigo: I - discriminados no demonstrativo de gastos tributários a que se refere o § 6º do art. 165 da Constituição Federal anexo à Lei Orçamentária Anual de 2026; ou II - instituídos por meio dos seguintes regimes: a) lucro presumido, previsto nos arts. 25 e 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; b) Regime Especial da Indústria Química (REIQ), dos termos dos arts. 56, 57, 57-A, 57-C e 57-D na Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e dos §§ 15, 16 e 23 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004; c) crédito presumido de IPI, previsto nas Leis nºs 9.363, de 13 de dezembro de 1996, 10.276, de 10 de setembro de 2001, e 9.440, de 14 de março de 1997; d) crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive na importação, previsto: 1. no art. 3º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000; 2. no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; 3. nos arts. 33 e 34 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009; 4. nos arts. 55 e 56 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010; 5. nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 23 de março 2012; 6. no art. 15 da Lei nº 12.794, de 2 de abril de 2013; 7. no art. 31 da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013; 8. no art. 2º-A da Lei nº 14.592, de 30 de maio de 2023; e) redução a 0 (zero) das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive na importação, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; e f) redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins prevista no art. 2º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. § 3º. Para fins do disposto nesta Lei Complementar, considera-se sistema padrão de tributação: I - para o IRPJ e a CSLL, as normas que disciplinam a tributação pelo lucro real, sem aplicação de descontos ou benefícios tributários; II - para o IPI, as normas que estabelecem a aplicação das alíquotas constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 11.158, de 29 de julho de 2022, desconsideradas reduções de qualquer natureza previstas nas Notas Complementares da Tipi; III - para a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, as normas que estabelecem a aplicação sobre a receita das seguintes alíquotas, respectivamente: a) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), no regime de apuração cumulativa; ou b) 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), no regime de apuração não cumulativa; IV - para a Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação, as normas que estabelecem a aplicação sobre a base de cálculo prevista no art. 7º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, das seguintes alíquotas, respectivamente: a) 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), no caso de importação de serviços; ou b) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), no caso de importação de bens; V - para o II, as normas que estabelecem a aplicação das alíquotas constantes da Tarifa Externa Comum (TEC) ou de alíquotas alteradas com fundamento no § 1º do art. 153 da Constituição Federal; e VI - para a contribuição previdenciária do empregador, as normas que estabelecem como base de cálculo o total da remuneração paga ou creditada, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos prestadores de serviços. § 4º. A redução dos incentivos e benefícios a que se refere este artigo será implementada cumulativamente, nos termos a seguir: I - isenção e alíquota 0 (zero): aplicação de alíquota correspondente a 10% (dez por cento) da alíquota do sistema padrão de tributação; II - alíquota reduzida: aplicação de alíquota correspondente à soma de 90% (noventa por cento) da alíquota reduzida e 10% (dez por cento) da alíquota do sistema padrão de tributação; III - redução de base de cálculo: aplicação de 90% (noventa por cento) da redução da base de cálculo prevista na legislação específica do benefício; IV - crédito financeiro ou tributário, incluído crédito presumido ou fictício: aproveitamento limitado a 90% (noventa por cento) do valor original do crédito, cancelando-se o valor não aproveitado; V - redução de tributo devido: aplicação de 90% (noventa por cento) da redução do tributo prevista na legislação específica do benefício; VI - regimes especiais ou favorecidos opcionais em que os tributos são cobrados como porcentagem da receita bruta: elevação em 10% (dez por cento) da porcentagem da receita bruta; e VII - regimes de tributação em que a base de cálculo seja presumida: acréscimo de 10% (dez por cento) nos percentuais de presunção. § 5º. No caso do regime do lucro presumido, previsto nos arts. 25 e 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o acréscimo previsto no inciso VII do § 4º deste artigo somente se aplica aos percentuais de presunção incidentes sobre a parcela da receita bruta total que exceda o valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) no ano-calendário, aplicando-se: I - o limite proporcionalmente a cada período de apuração no ano, permitido o ajuste nos períodos seguintes; e II - o acréscimo proporcionalmente às receitas de cada uma das atividades. Verifica-se que LC 224/2025 adotou como técnica para redução de benefícios e incentivos fiscais o aumento de 10% da presunção de lucro das contribuintes. O regime do lucro presumido simplifica a tributação ao dispensar a apuração do lucro real, atividade minuciosa e precisa, consequentemente demandante de esforço contábil para tal fim e de maior atenção da Fiscalização para monitoramento. O regime de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica segundo o lucro presumido não é um benefício fiscal, pois não resulta necessariamente em redução da tributação. A decisão de política tributária do legislador que autoriza a pessoa jurídica a optar pela tributação com base de cálculo presumida, apurada por fração da receita bruta nos termos do art. 15 da L 9.249/1995, desde que atendidos certos requisitos, quantitativos (receita bruta até determinado patamar) e qualitativos (não estar entre as atividades obrigatoriamente sujeitas ao lucro real). A lei fixa a fração de 8% sobre a receita bruta como presunção de lucro das empresas em geral, mas o índice varia para atividades específicas, como a prestação de serviços, que se sujeita à presunção de 32% de lucro. Essas presunções resultam da ação do legislador de ter empregado o conhecimento empírico sobre o resultado das empresas para presumir o lucro que elas costumam obter, permitindo que as contribuintes optem por apurar a base de cálculo do IRPJ por essa referência, facilitando a operação contábil subjacente à tributação. A empresa optante pelo regime facilitado de apuração aplica a fração legalmente prevista como presunção de lucro sobre a receita bruta, somatório que expressa periodicamente a atividade econômica já utilizado para incidência de outros tributos, elemento contábil de elevado interesse para a atividade econômica das pessoas jurídicas e de fácil obtenção. Especificada a base de cálculo, aplicam-se as alíquotas do IRPJ, 15% mais o adicional de 10%, conforme o art. 2º da L 9.430/1996. A LC 224/2025 eleva a presunção de lucro de 8% para 8,8% para as pessoas jurídicas em geral e de 32% para 35,2% para as pessoas jurídicas prestadoras de serviço. Como resultado, a lei elevou linearmente a tributação das empresas em geral que optarem pelo regime de lucro presumido, independentemente de haverem benefícios ou incentivos fiscais. O objetivo de reduzir benefícios fiscais é incompatível com o aumento da presunção de lucro de contribuintes que não se beneficiam de tais favores, aproximando-se de infringência ao princípio da razoabilidade. As inovações legislativas em questão parecem se contrapor o princípio da transparência (§ 3º do art. 145 da Constituição) pois resultam em aumentar tributos por via indireta a pretexto de reduzir benefícios, ampliando a base de cálculo por modificação de presunções. A modificação legislativa oculta a intenção e o efeito da medida, impedindo o controle político e judicial. É possível vislumbrar afronta ao princípio da capacidade contributiva (§ 1º do art. 145 da Constituição) na medida em que, ao exigir IRPJ sobre uma base de cálculo majorada linearmente baseada na presunção de lucro sem evidenciar qualquer elemento social ou econômico que justificasse o agravamento do ônus, a lei exige um sacrifício fiscal além da riqueza efetiva do contribuinte. Ao exigir IRPJ sobre uma base de cálculo presumida sem qualquer relacionamento com o conhecimento empírico que conduz às frações de presunção de lucro, a LC 224/2025 extrapola a noção econômica de renda referida no inc. III art. 153 da Constituição. Considerada a forma de apuração da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL, al. c do inc. I do art. 195 da Constituição), idênticos fundamentos se aplicam-se quanto ao seu recolhimento pelo regime do lucro presumido. A decisão agravada está de acordo com esses preceitos. Por fim, a matéria é objeto de questionamento na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7936, proposta junto ao Supremo Tribunal Federal, em 11fev.2026, não havendo, ainda, qualquer decisão no caso, apenas sinalização de que o processo será remetido diretamente ao julgamento de mérito pelo Plenário, nos termos do art. 12 da L 9.868/1999. Não há prova do direito alegado. Dispositivo Pelo exposto, indefiro medida liminar em recurso, mantida a decisão recorrida até o exame pelo colegiado da Primeira Turma. Intimem-se, sendo a parte agravada para responder, querendo, nos termos do inc. II do art. 1.019 do CPC. Com resposta ou transcorrido o prazo, retorne o recurso concluso para julgamento. Documento 85 de 1577104 expand_more expand_less article find_in_page content_copy picture_as_pdf Decisão monocrática
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