Pensão por morte. Trabalhador rural. Prévio requerimento administrativo. Desnecessidade. Falecimento do cônjuge. Dependência presumida
- Relator
- DESEMBARGADOR FEDERAL NEY BELLO
- Órgão julgador
- PRIMEIRA TURMA
- Data de julgamento
- 13/11/2013
- Data de publicação
- 21/01/2014
- Tipo de recurso
- APELAÇÃO CIVEL (AC)
- Número
- TRF1-0017453-42.2010.4.01.9199
Ementa
PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PENSÃO POR MORTE. TRABALHADOR RURAL. PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. FALECIMENTO DO CÔNJUGE. DEPENDÊNCIA PRESUMIDA. ATIVIDADE RURAL COMPROVADA POR INÍCIO DE PROVA DOCUMENTAL CORROBORADA POR PROVA TESTEMUNHAL. TUTELA ANTECIPADA. TERMO INICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUSTAS. 1. A ausência de pedido na via administrativa, com a utilização preferencial da via judicial para a obtenção de um benefício previdenciário, o qual não foi negado pelo Estado-Administração, não acarreta a falta de uma das condições da ação, que é o interesse de agir. Ressalva do ponto de vista do Relator que entende, in casu, ante a ausência de contestação do mérito da demanda, configurada a inexistência do conflito de interesse qualificado por uma pretensão resistida, não se podendo, portando, falar em formação de lide nos autos. 2. É possível a concessão de tutela antecipada, ainda que de ofício, em ações de natureza previdenciária, tendo em vista a natureza alimentar do benefício previdenciário e por se encontrarem presentes os requisitos específicos do art. 273 do CPC. Precedentes. 3. Segundo a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte, deve-se aplicar, para a concessão de benefício de pensão por morte, a legislação vigente ao tempo do óbito do instituidor (Súmula 340/STJ). 4. A pensão por morte prevista no art. 74 da Lei 8.213/91, que é devida ao conjunto dos dependentes de trabalhador rural, está subordinada à demonstração da condição de dependente do segurado, nos termos do art. 16 da mencionada lei, e à comprovação da atividade rural exercida pelo falecido, por meio de início de prova material corroborada por prova testemunhal coerente e robusta. 5. A parte autora logrou trazer aos autos prova documental quanto à qualidade de segurado especial do de cujus na data do óbito, assim como de sua qualidade de dependente, tudo corroborado pelos depoimentos prestados por suas testemunhas. Conjunto probatório harmônico (início de prova material e prova testemunhal), pelo que devida a concessão do benefício de pensão por morte ao cônjuge sobrevivente. 6. Tendo o óbito do instituidor do benefício ocorrido na vigência da Lei n. 9.528/97, que alterou dispositivos da Lei 8.213/91, o termo inicial do benefício deve obedecer ao disposto na referida lei, vedada, entretanto, a reformatio in pejus. Direito ao benefício a partir da data da citação, conforme determinado na sentença. 7. A correção monetária incidente sobre as parcelas atrasadas deve observar as orientações do Manual de Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução/CJF 134, de 21.12.2010, aplicando-se o IPCA-E após a entrada em vigor da Lei 11.960/2009, tendo em vista a imprestabilidade da TR - atualmente usada na remuneração das cadernetas de poupança - como índice de correção monetária de débitos judiciais, conforme fundamentos utilizados pelo STF na ADI nº 493/DF. 8. Os juros de mora são devidos no percentual de 1% (um por cento) ao mês, a contar da citação (Súmula n. 204/STJ), até o advento da Lei 11.960/2009, a partir de quando incidirão à razão de 0,5% (meio por cento) ao mês - ou outro índice de juros remuneratórios das cadernetas de poupança que eventualmente venha a ser estabelecido -, até a apuração definitiva dos cálculos de liquidação. 9. Honorários advocatícios fixados em 10% sobre as prestações vencidas até a data da prolação da sentença no caso de sua confirmação, ou até a prolação do acórdão no caso de provimento da apelação da parte autora, atendendo ao disposto na Súmula 111/STJ, e em atendimento ao disposto no art. 20, § 4º, do Código de Processo Civil, tudo conforme reiterados precedentes desta Corte. 10. Em se tratando de causas ajuizadas perante a Justiça Federal, o INSS está isento de custas por força do art. 4º, inc. I, da Lei 9.289/96, abrangendo, inclusive, as despesas com oficial de justiça. A isenção se repete nos Estados onde houver Lei estadual assim prescrevendo. 11. Apelação do INSS e remessa oficial, tida por interposta, que se dá parcial provimento para, mantendo a sentença que concedeu a pensão por morte, a partir da citação, fixar o pagamento da correção monetária, dos juros de mora, das custas processuais e dos honorários advocatícios, nos termos da fundamentação.
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- Decisão: A Turma
- por unanimidade
- deu parcial provimento à apelação do INSS e à remessa oficial.
