FGTS. Honorários advocatícios. Art. 29-c da lei n. 8.036/90. Declaração de inconstitucionalidade (ADI 2736/DF). Trânsito em julgado. RE 581.160
- Relator
- DESEMBARGADOR FEDERAL JIRAIR ARAM MEGUERIAN
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data de julgamento
- 14/10/2013
- Data de publicação
- 29/10/2013
- Tipo de recurso
- APELAÇÃO CIVEL (AC)
- Número
- TRF1-0024932-66.2009.4.01.3300
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. FGTS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 29-C DA LEI N. 8.036/90. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI 2736/DF). TRÂNSITO EM JULGADO. RE 581.160. REPRESENTATIVIDADE DE CONTROVÉRSIA. MESMA ORIENTAÇÃO DA ADI. CUSTAS PROCESSUAIS. ISENÇÃO. REEMBOLSO. I - O egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 2.736/DF, em 08/09/2010, declarou a inconstitucionalidade do artigo 9º da Medida Provisória 2.164-41/2001, que acrescentou o art.29-C à Lei 8.036/90, o qual suprimia a condenação em honorários advocatícios em demandas envolvendo o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS. II - Trânsito em julgado da ADI 2.736 em 03/09/2012, depois de rejeitados os embargos de declaração que intentaram a atribuição de efeito ex nunc à pronúncia de inconstitucionalidade do art. 29-C da Lei n. 8.036/90. III - Em 20/06/2012, foi julgado o recurso extraordinário a cuja decisão estava jungido o entendimento sobre tal matéria, em razão do regime de representatividade de controvérsia, nos termos do art. 543-B do CPC; seu teor, em 23.08.2012, foi publicado com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. CONSTITUCIONAL. ART. 9º DA MP 2.164-41/2001. INTRODUÇÃO DO ART. 29-C NA LEI 8.036/1990. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA. AÇÕES ENVOLVENDO O FGTS E TITULARES DE CONTAS VINCULADAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA NA ADI 2.736/DF. RECURSO PROVIDO. I - O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 2.736/DF, Rel. Min. Cezar Peluso, declarou a inconstitucionalidade do art. 9º da MP 2.164-41/2001, na parte em que introduziu o art. 29-C na lei 8.036/1990, que vedava a condenação em honorários advocatícios "nas ações entre o FGTS e os titulares de contas vinculadas, bem como naquelas em que figuram os respectivos representantes ou substitutos processuais". II - Os mesmos argumentos devem ser aplicados à solução do litígio de que trata o presente recurso. III - Recurso extraordinário conhecido e provido.(RE 581160, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 20/06/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-166 DIVULG 22-08-2012 PUBLIC 23-08-2012) IV - Declarada a inconstitucionalidade do artigo 29-C da Lei 8.036/90 (STF, ADI 2736), configura-se cabível a condenação em verba honorária, nas demandas relativas ao FGTS. V - Por se tratar de matéria já pacificada pela jurisprudência, fixo os honorários advocatícios, com base no art. 20, § 3º, do CPC, em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação. VI - Se é pacífico o entendimento de que a Caixa, na condição de representante legal do FGTS, é isenta das custas processuais, em face da norma inserta no artigo 24-A, parágrafo único, da Lei 9.028/95, não menos pacífica é a orientação jurisprudencial de que não é isenta do reembolso das custas adiantadas pela parte autora, conforme art. 4º, parágrafo único, da Lei 9.289/96. VII - A isenção do pagamento das custas processuais, porém, não exime a empresa pública de reembolsar as custas adiantadas pela parte autora (Lei 9.289/96, art. 4º, parágrafo único). (AC 0002711-89.2009.4.01.3300 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL FAGUNDES DE DEUS, QUINTA TURMA, e-DJF1 p.967 de 11/11/2011) VIII - Apelação da Caixa Econômica Federal - CEF a que se nega provimento. Apelação do autor a que se dá provimento, para condenar a Caixa Econômica Federal ao pagamento de honorários advocatícios ora fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação com base no art. 20, § 3º, do CPC.
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- Decisão: A Turma
- por unanimidade
- negou provimento à apelação da Caixa Econômica Federal - CEF e deu provimento à apelação do autor e condenou a Caixa Econômica Federal ao pagamento de honorários advocatícios que ora são fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação
- aplicando-se o § 3º do art. 20 do CPC.
