Gratuidade da justiça. Pessoa natural. Presunção de insuficiência de recursos. Elementos contrários. Renda mensal bruta de r$ 6.366,32. Indeferimento
- Relator
- ANA LUCIA IUCKER MEIRELLES DE OLIVEIRA
- Órgão julgador
- 9ª Turma
- Data de julgamento
- 22/09/2026
- Data de publicação
- 25/09/2026
- Tipo de recurso
- AI - AGRAVO DE INSTRUMENTO
- Número
- 5013992-10.2026.4.03.0000
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. PESSOA NATURAL. PRESUNÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS. ELEMENTOS CONTRÁRIOS. RENDA MENSAL BRUTA DE R$ 6.366,32. INDEFERIMENTO. RECURSO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME Agravo de instrumento interposto contra decisão que indeferiu o pedido de gratuidade da justiça. A parte agravante alegou não possuir condições financeiras para suportar os encargos processuais e afirmou que sua renda seria inferior ao limite legal para a concessão do benefício. A consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais indicou renda mensal bruta média de R$ 6.366,32. No recurso, a parte juntou declaração de imposto de renda e contrato de aluguel em nome da esposa, no valor mensal de R$ 1.200,00.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em verificar se a declaração de insuficiência de recursos apresentada por pessoa natural deve prevalecer diante dos elementos constantes dos autos que indicam capacidade financeira para o pagamento das despesas processuais.III. RAZÕES DE DECIDIR A alegação de insuficiência de recursos apresentada por pessoa natural presume-se verdadeira, nos termos do art. 99, § 3º, do Código de Processo Civil. O juiz pode afastar essa presunção quando os autos demonstrarem elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão da gratuidade da justiça, conforme o art. 99, § 2º, do Código de Processo Civil. A renda mensal bruta média de R$ 6.366,32, apurada mediante consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais, constitui elemento indicativo da capacidade financeira da parte agravante. A parte agravante não apresentou documentação suficiente para comprovar a alegada insuficiência de recursos, tendo juntado apenas declaração de imposto de renda e contrato de aluguel em nome da esposa.IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: A declaração de insuficiência de recursos apresentada por pessoa natural possui presunção de veracidade, mas pode ser afastada por elementos constantes dos autos que evidenciem a ausência dos pressupostos legais. A renda mensal bruta média de R$ 6.366,32, sem comprovação suficiente de despesas capazes de comprometer o sustento da parte e de sua família, justifica o indeferimento da gratuidade da justiça. Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 99, §§ 2º e 3º. Jurisprudência relevante citada: Nenhuma jurisprudência relevante encontrada no voto. PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Federal da 3ª Região 9ª Turma Avenida Paulista, 1842, Bela Vista, São Paulo - SP - CEP: 01310-936 https://www.trf3.jus.br/balcao-virtual AGRAVO DE INSTRUMENTO (202) Nº 5013992-10.2026.4.03.0000 RELATOR: ANA LUCIA IUCKER MEIRELLES DE OLIVEIRA AGRAVANTE: RUBENS TEODOSIO DA SILVA ADVOGADO do(a) AGRAVANTE: ROBERTO HIROMI SONODA - SP115094-A AGRAVADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS RELATÓRIO A EXMA. DESEMBARGADORA FEDERAL ANA IUCKER (Relatora): Vistos. Trata-se de agravo de instrumento interposto em face de decisão do Magistrado da 2ª. Vara Federal de Barueri, na qual foi indeferida a concessão dos benefícios da justiça gratuita.Parte superior do formulário De acordo com a decisão agravada, ao se avaliar a situação econômica da parte interessada com base na consulta ao CNIS, concluiu-se que não há impedimento ao acesso à Justiça, considerando-se que a parte tem capacidade financeira para arcar com as despesas processuais sem comprometer o seu sustento ou o de sua família. A parte agravante aduz que não possui condições financeiras de suportar os encargos processuais da presente demanda, destacando, ainda, que sua renda salarial se encontra abaixo do limite legal estabelecido para a concessão do benefício pleiteado. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO A EXMA. DESEMBARGADORA FEDERAL ANA IUCKER (Relatora): Presentes os pressupostos recursais. A afirmação de insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e honorários advocatícios, deduzida por pessoa natural, nos termos do artigo 99, § 3º do Código de Processo Civil presume-se verdadeira, para fins de concessão da gratuidade da justiça. Contudo, se a análise dos autos demonstrar elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão, a presunção é afastada e o pedido deve ser indeferido, na forma do § 2º do referido artigo 99. No caso em tela, a parte agravante alega que a renda por ela auferida é essencial para o sustento próprio e de sua família, da qual dependem para a subsistência, abrangendo o pagamento de despesas indispensáveis, tais como contas de consumo, vestuário, alimentação, moradia e outras obrigações fundamentais à manutenção de sua dignidade humana. Sustenta que a declaração de hipossuficiência por ele firmada goza de presunção de veracidade, a qual somente poderá ser afastada mediante a apresentação de provas concretas e devidamente refutáveis, capazes de demonstrar a ausência da alegada insuficiência de recursos. No entanto, ao analisar o histórico de créditos - CNIS, verifica-se que a parte agravante aufere, em média, um salário mensal bruto no valor de 6.366,32. Ademais, ao interpor o presente agravo, a parte agravante não se utilizou da oportunidade para comprovar sua hipossuficiência, tendo juntado apenas a declaração de imposto de renda e contrato de aluguel em nome de sua esposa, no valor mensal de R$1.200 (mil e duzentos reais). Assim, não restou comprovada a insuficiência de recursos para o pagamento das custas processuais, razão pela qual é imprescindível o indeferimento do pedido. Posto isto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de agravo de instrumento. Comunique-se o Juízo de origem. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. PESSOA NATURAL. PRESUNÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS. ELEMENTOS CONTRÁRIOS. RENDA MENSAL BRUTA DE R$ 6.366,32. INDEFERIMENTO. RECURSO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME Agravo de instrumento interposto contra decisão que indeferiu o pedido de gratuidade da justiça. A parte agravante alegou não possuir condições financeiras para suportar os encargos processuais e afirmou que sua renda seria inferior ao limite legal para a concessão do benefício. A consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais indicou renda mensal bruta média de R$ 6.366,32. No recurso, a parte juntou declaração de imposto de renda e contrato de aluguel em nome da esposa, no valor mensal de R$ 1.200,00.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em verificar se a declaração de insuficiência de recursos apresentada por pessoa natural deve prevalecer diante dos elementos constantes dos autos que indicam capacidade financeira para o pagamento das despesas processuais.III. RAZÕES DE DECIDIR A alegação de insuficiência de recursos apresentada por pessoa natural presume-se verdadeira, nos termos do art. 99, § 3º, do Código de Processo Civil. O juiz pode afastar essa presunção quando os autos demonstrarem elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão da gratuidade da justiça, conforme o art. 99, § 2º, do Código de Processo Civil. A renda mensal bruta média de R$ 6.366,32, apurada mediante consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais, constitui elemento indicativo da capacidade financeira da parte agravante. A parte agravante não apresentou documentação suficiente para comprovar a alegada insuficiência de recursos, tendo juntado apenas declaração de imposto de renda e contrato de aluguel em nome da esposa.IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: A declaração de insuficiência de recursos apresentada por pessoa natural possui presunção de veracidade, mas pode ser afastada por elementos constantes dos autos que evidenciem a ausência dos pressupostos legais. A renda mensal bruta média de R$ 6.366,32, sem comprovação suficiente de despesas capazes de comprometer o sustento da parte e de sua família, justifica o indeferimento da gratuidade da justiça. Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 99, §§ 2º e 3º. Jurisprudência relevante citada: Nenhuma jurisprudência relevante encontrada no voto. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Nona Turma, por unanimidade, decidiu NEGAR PROVIMENTO ao recurso de agravo de instrumento, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. ANA IUCKER Relatora do Acórdão
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