Imposto de renda. Cessão de precatório com deságio. Ausência de ganho de capital. Apelação desprovida. Remessa necessária parcialmente provida
- Relator
- RÔMULO PIZZOLATTI
- Órgão julgador
- 2ª Turma
- Data de julgamento
- 25/09/2026
- Data de publicação
- 25/09/2026
- Número
- 5005255-66.2024.4.04.7111
Ementa
DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO DE RENDA. CESSÃO DE PRECATÓRIO COM DESÁGIO. AUSÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. APELAÇÃO DESPROVIDA. REMESSA NECESSÁRIA PARCIALMENTE PROVIDA. I. CASO EM EXAME: 1. Mandado de segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal, buscando o reconhecimento da inexistência do débito tributário que legitime a cobrança do imposto de renda de ganho de capital sobre o valor recebido pela impetrante oriundo da cessão dos direitos creditórios realizada pela impetrante, anulando o auto de infração e a cobrança gerada. A sentença concedeu a segurança para declarar a inexigibilidade do crédito tributário. A União apelou. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO: 2. Há duas questões em discussão: (i) saber se há interesse de agir; e (ii) saber se a cessão de precatório com deságio gera ganho de capital sujeito à incidência de Imposto de Renda. III. RAZÕES DE DECIDIR: 3. A preliminar de falta de interesse de agir é afastada, pois, embora não haja lançamento fiscal, a autoridade coatora, ao prestar informações, defendeu a legitimidade da incidência do tributo na situação narrada, caracterizando um mandado de segurança preventivo. 4. Os valores recebidos em precatório, quando objeto de cessão com deságio, não se sujeitam à incidência de imposto de renda, pois não há ganho de capital, conforme entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. IV. DISPOSITIVO E TESE: 5. Apelação desprovida. Remessa necessária parcialmente provida. Tese de julgamento: 6. A cessão de precatório com deságio não configura ganho de capital e, portanto, não está sujeita à incidência de Imposto de Renda. ___________ Dispositivos relevantes citados: Lei nº 12.016/2009, art. 7º, II; Lei nº 7.713/1988, arts. 1º, 2º, 3º e 16; Lei nº 8.981/1995, art. 21; IN RFB nº 2178/2024, art. 2º; IN RFB nº 1548/2015, art. 21, II; IN RFB nº 2172/2024, art. 2º, II. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no REsp n. 1.824.282/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1ª Turma, j. 03.05.2021; STJ, AgInt no REsp n. 1.792.613/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, 2ª Turma, j. 10.08.2021; STJ, REsp n. 1.859.259/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª Turma, j. 10.03.2020; STJ, REsp n. 1.785.762/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, 2ª Turma, j. 27.09.2022; STJ, AgInt no REsp n. 1.768.681/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, DJe 11.12.2018; STJ, REsp n. 1.505.010/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, DJe 09.11.2015; STJ, REsp n. 1.789.047/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 08.03.2019; STJ, REsp n. 1.797.571/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 01.03.2019; TRF4, ApRemNec 5006141-59.2019.4.04.7105, 2ª Turma, Rel. Eduardo Vandré Oliveira Lema Garcia, j. 22.11.2022.
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